terça-feira, 13 de dezembro de 2016

3 a.m.

E o céu
faz dagente um só
ao percebê-lo
perco as dimensões
de mim mesma
esbarro na taça
ressoa o vidro estilhaçando
meu corpo
onde está, o que é
diante de todo esse céu
entre nós, em nós...
e sai de mim tudo
menos palavras
zombam de mim
zunindo
junto com todos os mosquitos
bzzzzzzzzzzzzzzzz...
e me ensurdece o silêncio
onde estão todas elas
ressentidas
agarro-as no ar
pouco a pouco
uma a uma
com a delicadeza
maior que há
na verdade
de sentir...

Rio de Janeiro, 10 de dezembro de 2016.