segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Bateu saudade

Bateu saudade
Na porta da casa dele
Chegou assim, sem aviso ou interfone.
Dois beijinhos: tudo bem?
Não vai me deixar entrar?
Aqui plantada é que eu não vou ficar.
- Mas é que... agora não, disse.
Ó, meu segundo nome é paciência,
mas a minha já tá acabando.
Deixe-me entrar, vai?
Não faço mal nem aperreio,
só dois dedinhos de prosa...
E precisas nem falar muito. Só ouvir.
Deixa eu contar como tenho andado
Enquanto tentavas me deixar de lado
Só tentavas...
Eu só quero entrar - deixa?
Que se não for deixar, não faz mal
Saudade não carece de permisso
Pode deixar que eu te encontro
E entro
- querendo ou não
Quando ouças uma daquelas canções
E chego assim sem aviso
Na vista do reflexo no vidro
Na vitrine da janela do ônibus
Entre um pensamento e outro
Entro
E apareço assim, sem querer
Trazendo ela a você.

Rio de Janeiro, 6 de julho de 2016.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Jardinagem social da ideologia - estudo monográfico sobre a subjetividade das pétalas

A ideologia é a raiz da cultura, 
Que cresce em flores nesse pé de sociedade.
E as flores têm pétalas. 
Incontáveis flores e,
mais incontáveis ainda, pétalas. 
Que não querem nem bem nem mal a ninguém, 
São só pétalas. 
Essas, 
cada ser desse pé junto a outros pés
nesse jardim de mundo, em absoluta primavera. 
Bate um vento, vez ou outra,
faz cair ou revoa algumas pétalas. 
E da mesma flor que cai uma pétala
não nascerão mais pétalas. 
Mas nascerão mais flores. 
Do mesmo pé, 
Da mesma raiz, 
rizomas lá nos subsolos,
que apenas se movem e se refazem,
e se adaptam, constantemente. 
A qualquer tipo de solo.