segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Bateu saudade

Bateu saudade
Na porta da casa dele
Chegou assim, sem aviso ou interfone.
Dois beijinhos: tudo bem?
Não vai me deixar entrar?
Aqui plantada é que eu não vou ficar.
- Mas é que... agora não, disse.
Ó, meu segundo nome é paciência,
mas a minha já tá acabando.
Deixe-me entrar, vai?
Não faço mal nem aperreio,
só dois dedinhos de prosa...
E precisas nem falar muito. Só ouvir.
Deixa eu contar como tenho andado
Enquanto tentavas me deixar de lado
Só tentavas...
Eu só quero entrar - deixa?
Que se não for deixar, não faz mal
Saudade não carece de permisso
Pode deixar que eu te encontro
E entro
- querendo ou não
Quando ouças uma daquelas canções
E chego assim sem aviso
Na vista do reflexo no vidro
Na vitrine da janela do ônibus
Entre um pensamento e outro
Entro
E apareço assim, sem querer
Trazendo ela a você.

Rio de Janeiro, 6 de julho de 2016.

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