segunda-feira, 30 de maio de 2016

Eu voo

                  

Quando criança, muitas as vezes em que eu sonhava que voava. E voava alto. Por sobre as florestas e cidades. Voava quando queria e pousava quando queria. E via as árvores, as ruas, os carros, as pessoas... Lá do alto. Sem asas, sem nada. Só no corpo, só eu.

Com o tempo começou a ser mais difícil voar. Era preciso muito esforço para sair do chão e, quando conseguia, só o fazia por pouco tempo. Planava. Nem mais conseguia ir tão alto.

E hoje, seja pelas leis da física ou outras mais fortes, já nem sonho mais que voo.

E foi assim que parei de sonhar que voava. Mas ainda lembro a sensação, o sentimento; a confiança e a liberdade - que agora têm nome, mas que antes eram só e simplesmente voo.

Eu costumava sonhar que voava.
Mas hoje
Eu vou.

domingo, 22 de maio de 2016

Fracte




Eu sou um pouco de tudo; eu sou um pouco de nada. De vazio e de transbordamento. Sou outras e sou eu. Eu-tudo. Eu-nada. Então, como é que é?

Eu me vejo de dentro e me vejo de fora. Sou muitas. Sou plural e fractal. Cada parte é um inteiro.

Sou assim, multi-eu. Mas cada parte de eu são partes de você também. Eus, vocês, nós. Sou partes fractais dos nós de nós.

E só sou porque somos. Somos a lembrança do que já fomos e as partes já somadas do que somos.

Eu já te vi de tantos jeitos. Já te vi de tantas formas. Suas e minhas. Já te vi de longe e de bem pertinho. De sentir sua respiração e ritmo cardíaco. E mesmo no distante olhar da indiferença - te via. Te via de olhos fechados e, quem sabe, até quando não sabia - te via. No vazio e no frio, da espinha e do umbigo.

Eu te vejo hoje quase por completo, das tantas maneiras que vivemos e aprendemos a viver ~ com o tempo. Digo quase, sim, porque nunca somos -completos- mas vamos sendo; definindo-nos, tomando formas...

E as suas eu vejo como vejo as nuvens que passam, as ondas que fluem, as folhas que dançam. Suas formas vão sendo e as vejo vendo. Vejo você ~ sendo.

Te vi e te vejo sendo, pois. Tu existes e chegaste até aqui. Das tantas coisas que foste, das tantas formas que tiveste. Mas sempre foste, e ainda és - o mesmo - pra mim, em inteiro.

Entre as distâncias desérticas ou proximidades perigosas, nunca deixamos de ver - de ser. Porque não é só com os olhos que se vê.

Eu vejo você. Eu sinto você, fractal - inteiro.


sábado, 14 de maio de 2016

A brecha



Vícios? Brechas. Relaxamento.
Fuga? Pausa. Apenas.
Uma música de fundo, um cigarro, um café.
O céu azul por entre as nuvens. O vôo das fragatas - a penas.
Uma volta de skate, uma música no violão, uma mandala a colorir.
[Estou em tudo - Estamos em tudo]
Uma janela que não fecha - que não quer ser fechada. E precisa?
E vôo. E pouso.
E pauso.
- posso? - pode.
Pausa.

uma música de fundo: Masollan - Balmorhea