
Quando criança, muitas as vezes em que eu sonhava que voava. E voava alto. Por sobre as florestas e cidades. Voava quando queria e pousava quando queria. E via as árvores, as ruas, os carros, as pessoas... Lá do alto. Sem asas, sem nada. Só no corpo, só eu.
Com o tempo começou a ser mais difícil voar. Era preciso muito esforço para sair do chão e, quando conseguia, só o fazia por pouco tempo. Planava. Nem mais conseguia ir tão alto.
E hoje, seja pelas leis da física ou outras mais fortes, já nem sonho mais que voo.
E foi assim que parei de sonhar que voava. Mas ainda lembro a sensação, o sentimento; a confiança e a liberdade - que agora têm nome, mas que antes eram só e simplesmente voo.
Eu costumava sonhar que voava.
Mas hoje
Eu vou.
Não deixa de sonhar nunca pequena. Indo, em frente, é que voamos novamente. Só precisamos do ar "nas asas" que elas logo se lembram para o que foram feitas. Anda, corre e vai, cedo ou tarde vai ter gás suficiente para voltar a planar e voar bem lá no alto como uma pipa.
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