Se conheceram e dormiram de conchinha. Barriga na costa, cheirinho na nuca...
E foram dormindo e acordando os dias seguintes nessa alegria deles. Do aconchego de um abraço, da faísca das peles que se tocam, do convite de um beijo.
E foram sendo sem perceber, ocupados em sentir, nessa mesma alegria deles. Sentir o outro e sentir-se no outro.
Até que preferiram pensar a sentir. Dizer a ser. E a ressaca tomou a praia deles. A tormenta dominou o oceano deles. E naufragaram.
Mas foram conchinha. Por baixo do agito das ondas, foram conchinha.
Mas foram conchinha. Por baixo do agito das ondas, foram conchinha.
Para Clarice Lispector
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