domingo, 22 de maio de 2016

Fracte




Eu sou um pouco de tudo; eu sou um pouco de nada. De vazio e de transbordamento. Sou outras e sou eu. Eu-tudo. Eu-nada. Então, como é que é?

Eu me vejo de dentro e me vejo de fora. Sou muitas. Sou plural e fractal. Cada parte é um inteiro.

Sou assim, multi-eu. Mas cada parte de eu são partes de você também. Eus, vocês, nós. Sou partes fractais dos nós de nós.

E só sou porque somos. Somos a lembrança do que já fomos e as partes já somadas do que somos.

Eu já te vi de tantos jeitos. Já te vi de tantas formas. Suas e minhas. Já te vi de longe e de bem pertinho. De sentir sua respiração e ritmo cardíaco. E mesmo no distante olhar da indiferença - te via. Te via de olhos fechados e, quem sabe, até quando não sabia - te via. No vazio e no frio, da espinha e do umbigo.

Eu te vejo hoje quase por completo, das tantas maneiras que vivemos e aprendemos a viver ~ com o tempo. Digo quase, sim, porque nunca somos -completos- mas vamos sendo; definindo-nos, tomando formas...

E as suas eu vejo como vejo as nuvens que passam, as ondas que fluem, as folhas que dançam. Suas formas vão sendo e as vejo vendo. Vejo você ~ sendo.

Te vi e te vejo sendo, pois. Tu existes e chegaste até aqui. Das tantas coisas que foste, das tantas formas que tiveste. Mas sempre foste, e ainda és - o mesmo - pra mim, em inteiro.

Entre as distâncias desérticas ou proximidades perigosas, nunca deixamos de ver - de ser. Porque não é só com os olhos que se vê.

Eu vejo você. Eu sinto você, fractal - inteiro.


3 comentários:

  1. Cara, que texto incrível. Era exatamente isso que eu tava pensando esses dias. Maravilhoso!!

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  2. Cara, que texto incrível. Era exatamente isso que eu tava pensando esses dias. Maravilhoso!!

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