segunda-feira, 9 de março de 2020

O DIQUE E O TIGRE

Sou eu o próprio dique. Tornei-me o próprio dique. Se ele romper, o que faço? Eu rompo junto. O que fica, o que sou? Eu sou. Apenas. 

Atenção à explosão. Não é destruição, mas criação. Vida, amor. Muita atenção. Muita presença, não se perca. Não corra, não desvie. Todas as águas são bem-vindas. Todas as águas sou eu. 

Navego. Pulmões cheios. Peito aberto. Corpo e mente. Tudo o que me formou, sou. Reconheço e celebro. Não destruo. Sou eu também. Somos. Todos somos. 

Neste momento que vos digo, o agora, o presente, atual, onde me encontro, sou dique para romper-se. O que faço das minhas águas, te diria se soubesse. Apenas vejam o fenômeno natural. Sem necessidade de espetáculo. Não ovacione, não aplauda. O rompimento é interrompível. Incapturável. Assista, observe. 

Há raiva, há fúria. Que de nenhuma forma são direcionadas a ser ou ente algum. São apenas potência. Tempestade. Trovão. Raio de intensidade. Só para sair do estado de contenção. Chega! 

Rompe-se o dique com a potência das minhas águas. O dique precisa sair. As águas precisam fluir.

em algum momento de 2018

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