Aos vinte e sete!
Meus e que virão
E nossos
A tudo que já não me serve
Um novo caminho de chão
Só
Caminho meu que passo por passo
Passo memórias e histórias
E agoras
Vou ligeira na bagagem que me faço
Pés e rastro
Não me atraso
Deixo ir, deixo ficar
Sendo do que fui, abro espaço
Aso, voo alço
Mala sem alça não arrasto
Pegadas só dos passos
Às vezes fundos pesados
E vezes suaves rápidos
27 anos de muitas de mim
Espero a crise que anunciam a chegada
Duas décadas foram de revolução
Em constante movimento me refaço
Terra, chão
Voo, asa
Estrada
O caminho é solitário
Sempre fui
Companhias em pousadas
Alguns percursos de mãos dadas
A coisa é que hoje apaixonada
Vida arretada
Minha paixão de solidão
Se vê mudada
Essa é a crise:
Como posso não ser só?
Uma barriga come menos do que duas
Quatro mãos fazem mais
Tão bem, cafuné abraço
Procuro um canto que me caiba
Meu voo e melodia
Passarinho passa o pranto
Com seu canto
Poesia
Seca e engoma a melancolia
Cantoria
Um chêro no cangote do amado
Um beijo na mão da dama arredia
Solidão
Velha amiga, de pouca companhia
Angustia minha goela
Grito seco na multidão
Ricochete eco
Cacoete solidão
Infindável revolução
Ser com
Consciência e amor
Partilha e calor
Abraço encontro
Fiar com
Rio de Janeiro, 31 de outubro de 2018.
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